O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma condição crônica caracterizada por um comportamento agitado e impulsivo associado a dificuldades em manter o foco nas atividades. Ele se manifesta ainda na infância. As causas são genéticas, e é comum que o distúrbio seja hereditário (passado dos pais para os filhos). Os sinais podem perdurar a vida toda, por isso a importância do diagnóstico e tratamento adequados.
Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), cerca 3% a 5% das crianças do mundo possuem o transtorno, sendo que 70% delas apresentam outra comorbidade (doença associada), como ansiedade e depressão. “É importante lembrar que o TDAH precisa manifestar sintomas em mais de um ambiente ou situação; se os sinais aparecem só em um ambiente, provavelmente não se trata do transtorno. Por isso, o diagnóstico deve ser feito com muito cuidado”.
Sintomas do TDAH em crianças e adolescentes
Os principais sinais do TDAH em crianças e adolescentes são desatenção, inquietude e impulsividade, em uma intensidade que traz prejuízos relacionados à interação social, aprendizagem, memória, linguagem e baixa autoestima. Para os meninos e meninas, seis sintomas presentes na área de desatenção e seis em hiperatividade e impulsividade já são suficientes para o diagnóstico.
DesatençãoNão prestar atenção em detalhes ou cometer erros por descuido.
Ter dificuldade de manter atenção em tarefas ou atividades lúdicas.
Parecer não escutar quando alguém lhe dirige a palavra.
Não seguir instruções até o fim e não conseguir terminar tarefas.
Ter dificuldade em organizar tarefas e atividades.
Evitar tarefas de esforço mental prolongado.
Perder coisas necessárias para tarefas ou atividades.
Distrair-se facilmente com estímulos externos.
Esquecer em relação a atividades cotidianas.
Hiperatividade e impulsividadeLevantar-se da carteira inapropriadamente.
Remexer ou batucar os pés ou as mãos ou contorcer-se na cadeira.
Correr ou subir nas coisas.
Ser incapaz de brincar calmamente.
“Não parar”, agindo como “motor ligado”.
Falar demais.
Responder antes do término da pergunta.
Ter dificuldade de esperar sua vez.
Interromper ou intrometer-se na conversa de outros.
Tipos de TDAH
O transtorno atenderá a um dos três tipos em que é classificado, a depender do nível de sintomas. São eles:
– TDAH tipo combinado: quando os critérios de desatenção, hiperatividade e impulsividade são observados.
– TDAH predominante desatento: quando o critério de desatenção é observado, mas o de hiperatividade e impulsividade não é predominante.
– TDAH predominante hiperativo-impulsivo: quando o critério de hiperatividade e impulsividade é predominante, em vez do de desatenção.
Avaliação multiprofissional é essencial para diagnóstico
A fase escolar merece um olhar ainda mais atento de pais e familiares, pois podem surgir conflitos causados pela falta de atenção, dificuldade em lidar com limites e hiperatividade – sintoma presente na maior parte dos quadros clínicos, mas que pode diminuir ao longo dos anos.
Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção, #adhd (sigla em inglês do transtorno) é a sétima hashtag de saúde mais procurada em uma das plataformas mais utilizadas entre os jovens, o TikTok.
Isso porque há uma onda de publicação de conteúdos que espalham informações sobre o transtorno – alguns até sugerem ao usuário um rápido diagnóstico, a partir da autoidentificação com alguns sinais apontados em vídeos e imagens.
Entretanto, o diagnóstico deve ser feito por profissionais de várias especialidades, levando em conta que não existe um exame específico para detectar o TDAH. Testes psicológicos, neurológicos ou físicos podem ser usados para descartar outras enfermidades. O pediatra também pode solicitar exame clínico e informações do histórico de saúde da família.
Tratamento
A doença não tem cura. Apesar disso, a hiperatividade tende a diminuir à medida que as crianças crescem. Nesse sentido, o tratamento é altamente individualizado e deve ser ajustado às necessidades que mudam ao longo do tempo. Normalmente, o TDAH exige cuidados de uma equipe multiprofissional, para tratar todos os sintomas comportamentais e físicos, que variam de acordo com a existência ou não de outra comorbidade. Geralmente são combinados medicamentos que melhoram a atenção e controlam os impulsos, com terapias comportamentais e adaptações pedagógicas de acordo com as necessidades.
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