Prefeitura de Garanhuns

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21 julho, 2025

CONVERSANDO SOBRE AUTISMO - O que é autismo leve? Conheça os sinais, intervenções

 
Falamos muito sobre o autismo ser um espectro, e isso significa que cada pessoa apresenta características, necessidades e formas de apoio muito específicas.

Nos critérios diagnósticos atuais, o TEA é classificado em três níveis de suporte, conforme o grau de apoio necessário no dia a dia. Popularmente, as pessoas ainda usam o termo autismo leve(autismo nível 

1),para se referir ao nível de suporte 1, por exemplo.

Embora essa expressão ajude a comunicar de forma rápida e ser mais

acessível para quem busca conteúdo sobre o assunto, é importante lembrarmos que não existe um autismo “mais leve” que outro, quando pensamos nas experiências subjetivas e desafios de cada pessoa com TEA e suas características.

O Transtorno do Espectro Autista é um transtorno do neurodesenvolvimento que muda o modo como a pessoa vê o mundo e interage com o mundo ao seu redor.

Essas alterações impactam a comunicação e a interação social, podendo resultar em dificuldades de socialização, conexões interpessoais e também em comportamentos repetitivos e interesses restritos e específicos.

Para te ajudar a entender melhor, neste artigo vamos explicar o que é o autismo nível de suporte 1 – chamado de autismo leve (nível 1) – como funciona seu diagnóstico, quais são seus sinais e quais estratégias de intervenção podem ser adotadas.

O que é autismo nível 1 (autismo leve)?

De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o autismo nível 1 envolve desafios na interação social e rigidez comportamental que podem interferir na vida diária, mesmo que esses sinais nem sempre sejam imediatamente perceptíveis.

Ele é chamado assim por conta do nível de necessidade de suporte que uma pessoa precisa para sua rotina. Mas isso pode variar de acordo com cada autista, suas características e repertório.

Pessoas com o que chamam de autismo leve geralmente têm habilidades de comunicação verbal e cognitiva compatíveis com o padrão esperado para a idade.

No entanto, isso não significa que não enfrentam desafios importantes. As dificuldades na interação social, na compreensão de códigos sociais, na regulação emocional ou na adaptação a mudanças podem ser intensas, mesmo que menos visíveis para quem está de fora.

Vale lembrar que os graus do TEA são baseados no nível de necessidade de apoio da pessoa no espectro. Não tendo a ver com as características do autismo ou legitimidade das dificuldades, que podem ainda assim conter crises de autismo e outras características e dificuldades!

Dessa forma, uma pessoa com o diagnóstico de autismo nível 1 pode depender menos da família e de apoio externo no dia a dia para realizar as tarefas cotidianas (motoras, cognitivas, sociais etc), mas ainda assim necessitar de suporte para contexto social, profissional ou escolar.

É correto falar “autismo leve”?

Importante deixar claro que a nomenclatura “autismo leve” não existe na classificação do DSM-5. No entanto, muitos usam esse termo para se referir ao autista nível de suporte 1.

As pessoas usam esse termo, pois o nível de suporte refere-se o quanto de suporte a pessoa requer para ter uma vida autônoma, sendoNível 1: requer apoio;
Nível 2: requer apoio substancial;
Nível 3: requer apoio muito substancial.

Sendo o nível 1 de suporte o nível que menos requer suporte, isso leva as pessoas a chamar de autismo leve. Só que esse termo pode:

Minimizar as dificuldades da pessoa
Reforçar os estigmas quanto a “não parecer autista”
Incentivar o mascaramento dos sintomas
Gerar desigualdade do acesso aos direitos
Ignorar a complexidade do espectro
Desinformar sobre os critérios diagnósticos reais

Aqui, usaremos esse termo sempre trazendo a perspectiva do quanto não está “correto”, para que essa reflexão possa chegar em mais pessoas que ainda, por desinformação, acabam usando o termo: autismo leve.

“Quando usamos expressões como “autismo leve” sem o devido contexto, corremos o risco de reforçar distorções que ainda cercam o espectro. Esse termo, embora popular, muitas vezes minimiza as dificuldades reais enfrentadas pela pessoa autista, principalmente quando seus desafios são menos visíveis. Isso alimenta estigmas como o clássico “não parece autista”.

O que significa dizer que o autismo é um espectro?

Para entendermos mais sobre autismo nível 1, vale ressaltarmos o que significa falar que o transtorno é um espectro e como as pessoas podem estar presentes nele.

Apesar de, segundo os manuais diagnósticos como o DSM-5 e a CID-11, classificarmos o autismo em 3 níveis, existe uma grande abrangência dentro desses termos, e cada pessoa irá vivenciar o transtorno de forma diferente e singular.

Por isso, usa-se o termo “espectro” para falar das inúmeras possibilidades e diversidades de sinais ou características, comprometimentos e necessidade de suporte que as pessoas apresentam.

Se atentar ao espectro:

Valida a diversidade de características
Evita estereótipos e generalizações
Promove intervenções individualizadas
Respeita identidades e modos de ser
Fortalece relações interpessoais
Reduz o capacitismo

O termo espectro, foi inserido ao nome do transtorno em 2013, em uma das atualizações dos critérios do DSM-5, que passou a classificar o autismo como Transtorno do Espectro Autista.

Isso porque, antes, o autismo fazia parte dos Transtornos Globais do Desenvolvimento e o diagnóstico poderia vir com nomes variados, como:

Transtorno Autista;
Síndrome de Asperger;
Transtorno Desintegrativo Infantil;
Transtorno Invasivo do Desenvolvimento.

A partir da atualização, o autismo passa a ter uma classificação própria, desconsiderando nomenclaturas como a Síndrome de Asperger e classificando conforme o grau de necessidade de ajuda para essas características.

Existem graus de autismo?

Conforme a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria, existem diferentes graus de TEA, que variam de acordo com a necessidade e o nível de suporte que cada pessoa apresenta.

Esse manual classifica os Transtornos do Espectro do Autismo em níveis que vão do 1 ao 3. São eles:

Autismo Nível 1 (também chamado de autismo leve): necessidade de apoio no dia a dia;
Autismo Nível 2 (também chamado de autismo moderado): nesse nível, a pessoa precisa apoio substancial em sua rotina;
Autismo Nível 3 (também chamado de autismo severo): a pessoa precisa de mais apoio muito substancial para as atividades da vida diária.

Vale reforçar que essa classificação tem como principal função entender o nível de necessidade de suporte que aquela pessoa vai precisar para lidar com os desafios da comunicação social e da adaptação a contextos e rotinas, de forma a garantir sua participação plena e seu bem-estar no dia a dia.

O termo “graus de autismo” faz parte do processo de diagnóstico de muitas famílias no momento em que estão investigando ou efetivamente descobrem um diagnóstico.

No entanto, apesar de ser uma maneira encontrada por profissionais para simplificar, o correto é dizer que pessoas no espectro do autismo apresentam diferentes níveis de suporte, de acordo com os critérios definidos por manuais diagnósticos.

Quais são os sintomas de autismo nível 1 (autismo leve)?

Entender e identificar os sinais do autismo nível 1 de suporte, é o primeiro passo para compreender as necessidades de uma criança e proporcionar o apoio adequado para seu desenvolvimento.

Crianças com “autismo leve” podem exibir dificuldades na comunicação, como desafios na interação social, interesses específicos e comportamentos repetitivos.

Observar atentamente esses sinais e buscar orientação profissional para um diagnóstico precoce é essencial para garantir o melhor desenvolvimento e qualidade de vida para a criança.

Isso significa que a criança pode apresentar características como:

Dificuldades na comunicação: crianças com autismo nível 1 (autismo leve) podem ter dificuldade em iniciar ou manter conversas, compreender expressões faciais e linguagem corporal, ou podem repetir frases sem entender seu significado.
Interesses específicos: muitas vezes, essas crianças desenvolvem interesses extremamente específicos e intensos em um único tópico, dedicando tempo considerável a ele.
Comportamentos repetitivos: repetição de gestos, movimentos ou sons.
Desafios na interação social: dificuldades em compreender as emoções dos outros, fazer amigos e manter relacionamentos interpessoais são características presentes.

Dessa forma, como ocorre com os outros níveis de autismo, os sinais do autismo nível 1, autismo leve, são aqueles que fazem parte da chamada díade do autismo:Problemas na comunicação e interação social;

Padrões de comportamentos repetitivos e restritivos.

A seguir, veja uma explicação mais aprofundada de cada um deles:

Comportamentos restritos e repetitivos

Pessoas com autismo nível 1, assim como as que têm outros graus de autismo, gostam de determinados assuntos e costumam se aprofundar neles, focando muitas vezes apenas nisso.

Esse interesse restrito é chamado de hiperfoco e pode ocorrer também com certos objetos.

Por esse motivo, é muito comum que, quando criança, ela goste de brincar apenas com um ou dois brinquedos, mesmo tendo vários à sua disposição, e acompanhe poucos desenhos, gostando muito de um personagem específico.

É comum também que ocorram movimentos repetitivos, ou seja, a pessoa faça repetidas vezes a mesma ação, como estalar os dedos, girar em volta de si, entre outros.

Dificuldades na comunicação

Crianças autistas costumam se envolver intensamente com temas que despertam seu interesse profundo — os chamados hiperfocos.

No entanto, ao mesmo tempo, em que esses temas podem ser fontes de prazer e conhecimento, também podem gerar dificuldades na interação social, já que a criança tende a se fixar nesses assuntos e a se desconectar das trocas que não os envolvem diretamente. Eles também podem ter dificuldade em:Iniciar e manter uma conversa;
Fazer perguntas durante a conversa;
Manter contato visual durante a conversa.
Dificuldades na socialização

O processo de socialização também pode ser difícil para quem está no espectro do autismo.

Por isso, muitos autistas relatam ter dificuldade em sair de casa e interagir socialmente, especialmente em festas e locais fora da sua zona de conforto.

É importante reforçar que isso não significa que pessoas autistas não conseguem ter amigos ou mesmo se relacionar.

Algumas pessoas autistas vivenciam experiências que se alinham mais aos padrões sociais esperados e acabam recebendo o diagnóstico apenas na vida adulta. Outras têm manifestações mais evidentes desde a infância, o que possibilita uma identificação mais precoce

Independentemente da idade em que aconteça, o diagnóstico ajuda a pessoa a entender suas limitações e dificuldades, e a buscar ajuda para trabalhar esses aspectos.

Como é o comportamento de um autista leve?

Pessoas com autismo leve podem demonstrar: Preferência por interações mais seletivas ou por atividades realizadas de forma individual, o que não significa ausência de desejo de conexão.
Rotinas rígidas, onde mudanças inesperadas podem gerar ansiedade;
Hiperfoco em assuntos de interesse, com grande profundidade em determinado tema;
Uma forma diferente de empatia, com possíveis dificuldades em identificar sinais emocionais sutis, mas com capacidade de compreender sentimentos por meio do raciocínio (empatia cognitiva)

Mas, como já falamos, o autismo é um espectro. Por isso, nem todas as pessoas com autismo nível 1, irão apresentar os mesmos comportamentos ou características. É erradimportante conversar com um profissional especializado para entender se os sinais observados podem fazer parte do diagnóstico de TEA.

Como confirmar o diagnóstico de “autismo leve”?

À medida que a conscientização sobre o autismo cresce, muitos pais, pessoas cuidadoras e profissionais buscam informações claras sobre as características, diagnóstico e intervenções para entender melhor o autismo nível 1 de suporte.

Mesmo que pais, familiares e/ou professores percebam sinais de autismo, é fundamental que o diagnóstico seja confirmado por médicos especialistas.

Para isso, o indicado é que a família busque ajuda de um profissional da neuropediatria (neurologista infantil) ou psiquiatria infantil.

Vale lembrar que a intervenção pode — e deve — ocorrer mesmo antes da criança receber um diagnóstico formal de autismo, seja ele nível 1, nível 2 ou nível 3 de suporte.

Quanto antes as intervenções começarem, melhor para o desenvolvimento da criança, graças à neuroplasticidade, que permite que o cérebro aprenda novas habilidades.

Meu filho tem autismo leve, o que fazer?

Após a confirmação do diagnóstico de TEA nível 1, a família precisará contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar com profissionais especializados em autismo, como:

Terapeuta ocupacional
Psicólogo
Enfermeiro
Fonoaudiólogo
Nutricionista
Entre outros

Além disso, os pais também vão precisar de suporte emocional e treinamento para conhecer mais sobre os comportamentos da criança e aproveitar todas as oportunidades de aprendizado.

Essa abordagem é chamada de orientação parental, que garante que pais e pessoas cuidadoras sejam agentes de transformação. O objetivo é empoderá-los com conhecimento sobre como potencializar o desenvolvimento da criança.

Essa é uma parte essencial do processo, já que pessoas cuidadoras desempenham um papel fundamental em auxiliar a criança a aprender e se desenvolver, orientando e ensinando habilidades e comportamentos que serão úteis na vida real.

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