Economia
A
decisão do presidente Michel Temer de retirar os servidores estaduais e
municipais da reforma da Previdência, anunciada na terça-feira, 21, acabou
deixando 86% do funcionalismo público em atividade no País fora do alcance da
Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que altera as regras de aposentadorias
e pensões em tramitação no Congresso Nacional.
Do total de 6,214 milhões de servidores públicos (federais, estaduais e municipais), 5,362 milhões não farão parte da reforma depois que o presidente cedeu às pressões dos grupos organizados e anunciou anteontem o recuo na proposta. O cálculo foi feito pelo consultor legislativo do Senado e especialista em Previdência Pedro Fernando Nery.
Do total de 6,214 milhões de servidores públicos (federais, estaduais e municipais), 5,362 milhões não farão parte da reforma depois que o presidente cedeu às pressões dos grupos organizados e anunciou anteontem o recuo na proposta. O cálculo foi feito pelo consultor legislativo do Senado e especialista em Previdência Pedro Fernando Nery.
A
decisão abre um precedente para que outras categorias escapem também do alcance
da reforma. A equipe econômica passou o dia tentando minimizar o impacto da
mudança para conter uma piora da confiança no ajuste fiscal pelos analistas do
mercado, mas, no Congresso, a retirada de outras categorias do funcionalismo
público federal já é dada como certa, segundo apurou a reportagem.
Os
policiais federais fazem forte pressão e as chances de conseguirem ficar de
fora da reforma com apoio dos parlamentares aumentou com a concessão feita pelo
Planalto. Juízes e procuradores federais vão brigar para ficarem de fora e há
emendas já apresentadas para isso. E os Estados, que enfrentam problemas graves
nas suas contas em razão do aumento crescente do déficit da Previdência dos
servidores, reclamaram da decisão.
O
ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quarta-feira, 22, que
havia um risco grande de judicialização da proposta. “Não é apenas uma questão
de conveniência política ou viabilidade para os governadores, é de autonomia
federativa”, afirmou. Segundo o ministro, as regras para a Previdência dos
servidores estaduais serão tomadas por Estado.
“O
governo tomou a decisão de focar o seu trabalho no que é responsabilidade
direta da União, que é o Orçamento federal”, completou. Para os servidores da
União, não haverá exceção. Uma fonte da equipe econômica disse que o governo
“não considera a hipótese de retirar nenhuma categoria federal da proposta”.
Troca
Os
dados apresentados pelo consultor do Senado levaram em consideração os
militares das Forças Armadas, que também, com muita pressão, conseguiram
escapar da reforma antes mesmo de a proposta ser enviada ao Congresso no final
do ano passado. Apenas 852,85 mil servidores civis da União (14% do total do
funcionalismo público brasileiro) serão afetados pela PEC.
Para
o consultor do Senado, o governo está “trocando uma reforma por várias
reformas”. Segundo ele, o lobby para a mudança partiu sobretudo dos juízes,
promotores e professores. Pelos dados do consultor, dos 5.593 entes federativos
(Estados e municípios) do Brasil, 60% (3.382) têm regime próprio de previdência
social.
Na
avaliação de Nery, não se sabe ainda como o mercado financeiro vai quantificar
o impacto da mudança, já que aumentam as chances de o governo federal ter de
socorrer os Estados no futuro.
“A
gente sabe que no Brasil a União é sempre muito chamada a socorrer os Estados.
Não se sabe como o mercado vai ‘precificar’ esse passivo contingente, que é a
possibilidade de no futuro o endividamento aumentar porque ela vai ter que
socorrer eventualmente Estados que não conseguirem pactuar novas regras com as
suas assembleias”, avaliou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo”.
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