Em uma votação que entrou para a história da República, o plenário do Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira, a indicação de Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Por 42 votos a 34, Messias não alcançou o quórum mínimo de 41 votos favoráveis, tornando-se o primeiro indicado ao Supremo a ser barrado pela Casa desde 1894.
O resultado representa um duro golpe político para o presidente Lula, que havia anunciado o nome de Messias em novembro.
Mesmo após uma sabatina de 8 horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde o indicado foi aprovado por 16 a 11, a resistência no plenário foi intransponível.
Durante a sabatina, Messias tentou suavizar sua imagem ao reforçar sua identidade evangélica, declarar-se contrário ao aborto e criticar o "ativismo judicial".
Articulação Política e Pressão dos Bastidores
A derrota de Messias foi pavimentada por dois grandes blocos de pressão:
Ala Bolsonarista: Senadores da oposição argumentaram que a vaga, aberta pela aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, não deveria ser preenchida agora, cabendo ao próximo presidente da República a indicação.
Presidência do Senado: Davi Alcolumbre (União-AP) trabalhou nos bastidores contra o nome do AGU, favorecendo a articulação em torno do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
O Palácio do Planalto, que segurou a documentação de Messias por cinco meses temendo justamente esse desfecho, agora terá que buscar um novo nome que pacifique a relação com o Legislativo.
O episódio evidenciou a fragilidade da base governista no Senado em temas de alta voltagem jurídica.
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