Em meio a um cenário de desconfiança pública e divisões internas no Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia enviou um recado direto à sociedade nesta segunda-feira (13).
Durante palestra na Fundação FHC, em São Paulo, a magistrada buscou se desvincular das polêmicas que cercam a corte, afirmando categoricamente sua integridade pessoal.
"Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei. Eu não faço nada errado", declarou a ministra.
Crise de Desconfiança e Transparência
Cármen Lúcia reconheceu que o Brasil atravessa um período de "agudização de crises" e desconfiança generalizada. Para ela, o STF tem o dever de demonstrar que existe para servir ao povo, defendendo uma maior transparência sobre as atividades dos ministros, inclusive fora de Brasília.
A ministra também pontuou os desafios da era digital e o excesso de processos, lembrando que o tribunal lida com problemas inéditos para os quais não existem "respostas prontas". Sobre as críticas pesadas que recebe, ironizou com um mantra pessoal: "Cármen, lembra, você faz direito, não milagres".
Um Tribunal Rachado
As declarações ocorrem em um momento delicado de fragmentação na corte.
De um lado, uma aliança formada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin tem articulado uma agenda própria; de outro, um grupo composto por Cármen Lúcia, Edson Fachin, André Mendonça e Luiz Fux mantém uma postura distinta, enquanto Kassio Nunes Marques atua como o fiel da balança.
A fala de Cármen Lúcia expõe não apenas sua defesa individual, mas a urgência de uma autocrítica institucional em um dos momentos mais tensos da história recente do Supremo.
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