O centro do Recife foi palco de um grande protesto na tarde deste domingo (24).
Trabalhadores, estudantes e movimentos sindicais marcharam da Rua da Aurora até o Marco Zero exigindo o fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de folga) e a redução da jornada semanal de trabalho no Brasil.
A mobilização acontece em um momento crucial: a Comissão Especial da Câmara dos Deputados marcou para esta segunda-feira (25) a votação do relatório da PEC que propõe reformular a carga horária nacional.
Atualmente, cerca de 15 milhões de brasileiros enfrentam a escala 6x1, concentrados principalmente nos setores de comércio e serviços.
Os argumentos na mesa: Saúde, produtividade e igualdade
Lideranças presentes no ato destacaram que o modelo atual esgota a classe trabalhadora e gera graves consequências:
Esgotamento e acidentes: Paulo Rocha, presidente da CUT-PE, alertou que jornadas exaustivas inflam os índices de acidentes de trabalho graves e fatais.
Ele defende que menos horas de trabalho aumentam a produtividade e geram novos empregos.
Sobrecarga feminina: A vereadora Liana Cirne (PT) enfatizou o impacto cruel sobre as mulheres, que usam a única folga da semana para dar conta do trabalho doméstico invisível, ficando sem nenhum descanso real.
Qualidade de vida: Representantes da CTB pontuaram que o trabalhador precisa de tempo para a saúde, a família e o lazer, citando exemplos de países europeus que já reduziram suas jornadas com sucesso.
O que está em jogo em Brasília?
A principal proposta em debate é a PEC 221/2019, relatada pelo deputado Leo Prates.
O texto original previa uma transição de dez anos para reduzir a jornada para 36 horas semanais.
Contudo, as negociações de bastidores avançaram para propostas mais imediatas, como fixar a jornada em 40 horas semanais com dois dias de descanso garantidos (escala 5x2) a partir de 2026, sem redução salarial.
Enquanto trabalhadores pressionam pela aprovação rápida, setores empresariais demonstram forte preocupação com o aumento de custos operacionais.
Para virar lei, o texto precisa ser aprovado na comissão e, depois, passar por dois turnos de votação com ampla maioria na Câmara e no Senado.
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