O sistema prisional de Pernambuco voltou a ser alvo de denúncias alarmantes.
Um relatório inédito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelou que sete das oito unidades prisionais vistoriadas no Estado enfrentam uma crise severa de superlotação, que chega a impressionantes 425% acima da capacidade projetada.
O cenário mais crítico foi encontrado no Presídio de Salgueiro, no Sertão, que abriga detentos de cinco regionais, extrapolando todos os limites de habitabilidade.
Além do colapso no espaço físico, os inspetores flagraram condições desumanas de infraestrutura.
Na Cadeia Pública de Afogados da Ingazeira, por exemplo, os presos sofrem com o racionamento extremo de água, que é fornecida por apenas uma hora e meia por dia.
O levantamento também apontou problemas gravíssimos de segurança e saúde pública, incluindo celas sem ventilação, infiltrações, mofo, esgoto a céu aberto no entorno de unidades e a presença de vetores de doenças, como baratas.
A falta de segurança contra incêndios é outro ponto de alerta vermelho: nenhuma das unidades visitadas possui o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válido.
No Presídio de Vitória de Santo Antão, foram encontrados apenas dois extintores, ambos com o prazo de validade vencido.
Historicamente penalizado por crises no setor carcerário, o Estado de Pernambuco agora enfrenta a urgência de um plano de intervenção estrutural exigido pelo CNJ para frear o caos e garantir o mínimo de dignidade humana nas celas.
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