Viver em Pernambuco exige hoje um malabarismo financeiro que desafia o bolso dos trabalhadores. De acordo com a pesquisa “Custo de Vida no Brasil”, realizada pela Serasa em parceria com o instituto Opinion Box, o gasto médio mensal no estado atingiu a marca de R$ 2.840. O valor é alarmante: são R$ 1,2 mil a mais do que o salário mínimo vigente, evidenciando a dificuldade da população em fechar as contas no fim do mês.
Embora o custo médio nacional seja maior (R$ 3.520), Pernambuco se destaca negativamente dentro da região Nordeste, apresentando gastos com moradia e despesas essenciais acima da média regional.
O peso das contas básicas
O levantamento revela que o orçamento dos pernambucanos é engolido por três categorias principais: supermercado, moradia e contas recorrentes (como água, luz e internet). Juntos, esses itens representam 57% dos gastos totais.
No supermercado, o pernambucano desembolsa, em média, R$ 840 mensais, enquanto a média nordestina é de R$ 780. A moradia, que inclui aluguel ou financiamento, consome outros R$ 850, superando os R$ 800 registrados na média da região. Já as contas recorrentes e serviços de streaming somam R$ 430 no estado.
Alerta para o endividamento
A concentração de gastos em itens de sobrevivência deixa pouca margem para manobra. Segundo Larissa Chidiac, especialista em educação financeira da Serasa, essa estrutura orçamentária aumenta o risco de inadimplência. "Essas contas não podem ser adiadas e gastos emergenciais podem levar ao endividamento", explica.
A disparidade fica ainda mais evidente diante dos dados do Dieese. Para manter uma família de quatro pessoas em janeiro de 2026, o salário mínimo necessário deveria ter sido de R$ 7.177,57 — valor 4,43 vezes maior que o mínimo atual de R$ 1.621,00.
Outros custos no estado
Além do básico, o custo de vida em Pernambuco é composto por despesas significativas em outras áreas:
Saúde e Atividade Física: R$ 450
Educação: R$ 410
Gastos Gerais (Pets, cosméticos e calçados): R$ 340
Transporte e Mobilidade: R$ 270
Lazer: R$ 260
Curiosamente, o lazer é o único setor onde o gasto em Pernambuco se mantém abaixo da média do Nordeste (R$ 270), sugerindo que, para equilibrar o orçamento mais caro nas contas fixas, os moradores do estado estão precisando cortar o entretenimento.
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