Festival de Jazz Garanhuns

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Prefeitura de Garanhuns

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05 fevereiro, 2026

CARNAVAL MILIONÁRIO: GOVERNO DESTINA R$ 77 MILHÕES PARA FESTA ENQUANTO PERNAMBUCANOS CLAMAM POR SAÚDE, ÁGUA E SEGURANÇA

Enquanto as torneiras de milhares de lares pernambucanos permanecem secas e as filas nos hospitais públicos não param de crescer, e a violência não para, o Governo de Pernambuco anunciou, nesta quarta-feira (4), um investimento recorde para a folia de Momo. Ao todo, serão R$ 77,6 milhões injetados nas festividades deste ano — um salto impressionante de 87% em relação aos recursos aplicados no ano passado, que foram de R$ 35 milhões.

O anúncio, realizado em clima de celebração na área externa do Museu do Estado (Mepe), destacou o tema "A gente é festa". Contudo, para boa parte da população que depende dos serviços essenciais do Estado, o sentimento que prevalece é o de indignação diante de prioridades invertidas.

Dos R$ 77,6 milhões anunciados, a maior fatia — R$ 65,4 milhões — será destinada exclusivamente aos setores de cultura e turismo. O valor ignora o cenário de crise vivenciado em áreas críticas que afetam o dia a dia do cidadão:

Pacientes continuam relatando falta de insumos básicos e esperas intermináveis por cirurgias e leitos em unidades estaduais. Enquanto o governo celebra o aumento de verbas para o show, o povo sofre nos corredores das UPAs.

Em diversas regiões da Região Metropolitana do Recife e do Agreste, o rodízio de água é severo e o saneamento é precário. Famílias são obrigadas a comprar água mineral para necessidades básicas enquanto o orçamento público prioriza a montagem de palcos.

Embora o governo mencione investimentos em segurança para o evento, a população questiona se o policiamento reforçado será apenas um "cenário" para turistas, deixando os bairros à mercê da violência assim que a última orquestra de frevo silenciar.

Ironicamente, o tema deste ano faz referência ao filme "O Agente Secreto", gravado no Recife e estrelado por Wagner Moura. Para muitos críticos da gestão atual, o verdadeiro segredo difícil de desvendar é como o estado encontra recursos para quase dobrar o gasto com o Carnaval enquanto alega limitações orçamentárias para reformar escolas ou garantir o abastecimento regular de água.

A homenagem a ícones como o Maestro Duda, Nena Queiroga, João Gomes e ao legado de Chico Science é culturalmente relevante. No entanto, o "mangue" descrito por Science parece estar mais vivo do que nunca na precariedade da infraestrutura urbana que o governo insiste em maquiar com confete e serpentina.

Enquanto os orelhões amarelos da propaganda oficial decoram as ruas, o pernambucano segue tentando completar a chamada para o básico: dignidade na saúde, água na torneira e segurança para voltar para casa.

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