Neste mês de fevereiro de 2026, Pernambuco relembra os 30 anos da "Tragédia da Hemodiálise", o maior episódio de contaminação em massa em clínicas de diálise da história do país. O caso, que ganhou repercussão internacional em 1996, resultou na morte de mais de 60 pacientes renais e deixou sequelas incuráveis em dezenas de sobreviventes.
Tudo começou logo após o Carnaval de 1996, no antigo Instituto de Doenças Renais (IDR), em Caruaru. Pacientes que realizavam o tratamento de rotina começaram a apresentar sintomas graves, como perda de visão, fortes dores de cabeça e vômitos. O diagnóstico posterior revelou uma intoxicação por microcistina, uma toxina produzida por algas (cianobactérias) presentes na água da Barragem de Tabocas.
A água, transportada por caminhões-pipa até a clínica devido à seca da época, não passou pelo processo de purificação adequado, permitindo que o veneno entrasse diretamente na corrente sanguínea dos pacientes durante as sessões de hemodiálise.
Embora marcada pelo luto, a tragédia forçou uma revolução na vigilância sanitária brasileira. O episódio levou à criação de protocolos rigorosos de controle de qualidade da água, hoje seguidos por todas as unidades de nefrologia do país.
Portaria 82/1996: Estabeleceu padrões rígidos para o tratamento de água em diálise.
O Ministério da Saúde passou a monitorar de perto as clínicas conveniadas ao SUS.
Três décadas depois, o sentimento de impunidade ainda atinge muitas famílias. Sobreviventes, como Quitério Silva — que hoje convive com hepatite C como sequela da intoxicação —, ainda aguardam o desfecho de processos de indenização. Muitos dos sócios da clínica na época não possuem bens em seus nomes, dificultando o pagamento das multas e reparações judiciais.
Recentemente, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) manteve decisões que isentam o Estado e a Compesa de ressarcir a clínica, reafirmando a responsabilidade direta da unidade de saúde no tratamento final da água utilizada nos procedimentos.
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