WASHINGTON – O governo dos Estados Unidos anunciou oficialmente que passará a designar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO).
A medida, fundamentada na Lei de Imigração e Nacionalidade norte-americana, passará a valer a partir do dia 5 de junho, após publicação no Federal Register.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, justificou a decisão destacando a extrema violência das duas facções e a expansão de suas redes ilícitas, que já alcançam o território norte-americano.
"Juntas, elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis", afirmou Rubio.
Impactos e Riscos à Soberania Nacional
A decisão de Washington contraria os esforços recentes do governo brasileiro, que tentava evitar a classificação por receio de sanções econômicas severas ou até mesmo de eventuais intervenções militares estrangeiras.
Especialistas alertam que a medida traz riscos complexos:
Centralização de Inteligência: A cooperação investigativa entre os dois países pode ser prejudicada, já que as informações compartilhadas passariam a ser centralizadas pela CIA ou por órgãos militares dos EUA, alterando o nível de sigilo atual.
Precedente Regional: A nova diretriz faz parte da política externa do governo de Donald Trump focada no combate ao "narcoterrorismo" na América Latina — justificativa já utilizada este ano para bombardeios no Caribe e para a intervenção militar que culminou na deposição de Nicolás Maduro na Venezuela.
Bastidores Políticos
O anúncio ocorre logo após uma agenda oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca, onde discutiu com Trump o sufocamento financeiro do crime organizado, embora sem citar as facções nominalmente.
Por outro lado, a declaração de Marco Rubio coincidiu com encontros políticos em Washington envolvendo os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro: o deputado autoexilado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, que se reuniram com Trump e com o próprio secretário de Estado na véspera do anúncio.
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