RECIFE, PE – O primeiro trimestre de 2026 terminou com um rastro de dor e sangue para dezenas de famílias pernambucanas.
Dados oficiais da Secretaria de Defesa Social (SDS) apontam que 23 mulheres foram vítimas de feminicídio nos três primeiros meses do ano.
No entanto, o atraso na atualização e o apagão de detalhes nos portais de transparência do governo estadual têm gerado fortes críticas de especialistas.
Discrepância e falta de microdados
Para Ana Maria Franca, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado, a demora e a ausência de dados detalhados (como o bairro onde o crime ocorreu) dificultam o combate à violência.
Ela aponta que o atraso é uma escolha metodológica que flerta com a falta de clareza:
"É um combinado de metodologia com falta de transparência mesmo por parte do Estado para não divulgar isso em tempo real.
Quando o Estado divulga seus dados abertamente, ele vai depor contra si. Pernambuco nunca sai dos primeiros lugares nas taxas de violência do Brasil."
Para suprir essa lacuna, a ONG utiliza a metodologia "Geração Cidadã de Dados", cruzando denúncias recebidas via aplicativo com monitoramento de redes sociais e veículos de imprensa para mapear a violência armada em tempo real.
O que diz o Governo
Em nota oficial, a SDS rebateu as críticas e afirmou que o enfrentamento à violência de gênero é uma "prioridade permanente" da gestão.
O governo destacou que atua na ampliação do atendimento em delegacias, no acolhimento de vítimas e na responsabilização célere dos agressores.
CANAIS DE AJUDA
Se você ou alguém que você conhece está passando por uma situação de violência doméstica, denuncie e busque apoio.
A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e confidencial.
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