Prefeitura de Garanhuns

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07 junho, 2026

RESGATADOS DA ESCRAVIDÃO: Paraguaios trancados em fábrica clandestina de cigarros voltam ao país de origem


CABO DE SANTO AGOSTINHO – Um grupo de 17 trabalhadores paraguaios, resgatados em condições análogas à escravidão na Região Metropolitana do Recife, retornou ao Paraguai neste sábado (6). 

O voo de volta foi custeado pelo Governo de Pernambuco. No total, 18 estrangeiros foram libertados de uma fábrica clandestina de cigarros no Cabo de Santo Agostinho, mas um deles já havia retornado por meios próprios na sexta-feira (5).

De acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT), as vítimas foram atraídas em seu país natal com falsas promessas de emprego formal na área de costura, com salários de até R$ 3,5 mil, além de moradia e alimentação gratuitas. 

No entanto, após uma rota complexa de viagem, o sonho se transformou em pesadelo.

Isolamento, jornadas de 12h e vigilância armada

Assim que chegaram à fábrica, os paraguaios tiveram seus celulares retidos pelos criminosos e foram proibidos de fazer contato com as famílias. 

Eles eram submetidos a jornadas exaustivas de 12 horas diárias, sem folgas ou equipamentos de proteção, operando máquinas pesadas de cigarro.

As condições de alojamento eram subumanas: os 18 homens dormiam amontoados em colchões no chão de um quarto sem ventilação, cuja única janela estava lacrada. 

Além disso, o local funcionava sob vigilância constante de câmeras e capangas, com portões trancados a cadeado para impedir qualquer tentativa de fuga. Nenhum dos trabalhadores havia recebido salário até o momento do resgate.

Megaoperação desarticulou o esquema

A libertação ocorreu durante uma megaoperação na última quinta-feira (4), que reuniu a AFT, o Ministério Público do Trabalho (MPT), forças policiais e a Secretaria da Fazenda. 

No galpão, foi apreendida uma enorme quantidade de cigarros falsificados que seriam distribuídos por todo o Nordeste.

Os paraguaios resgatados agora terão direito ao recebimento de suas verbas trabalhistas e ao seguro-desemprego especial pago pelo Governo Federal. 

As investigações continuam para identificar e prender os chefes da organização criminosa envolvida no contrabando e no tráfico de pessoas.

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