O bolso do motorista pernambucano deve sentir o peso do novo ano já nos próximos dias. Após a virada para 2026, entrou em vigor o aumento do ICMS sobre os combustíveis, autorizado pelo Conselho de Secretarias de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Confaz). A medida projeta uma elevação de R$ 0,10 na gasolina e de R$ 0,05 no óleo diesel.
Embora a mudança tenha passado a valer no dia 1º de janeiro, a expectativa do setor varejista é que o reflexo nas bombas ocorra de forma gradual ao longo desta semana, à medida que os estabelecimentos renovarem seus estoques.
Segundo Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindcombustíveis-PE, o reajuste já é visível nas notas fiscais emitidas pelas distribuidoras. Ele esclarece que o repasse aos consumidores não é uma escolha arbitrária, mas uma necessidade de sobrevivência financeira dos postos.
"Se o custo sobe e o posto não repassa, o capital de giro é 'comido' pela inflação do combustível. O empresário precisa desse retorno para conseguir comprar o próximo carregamento", explica Ramos.
Por que o aumento na bomba pode ser maior que o imposto?
Um ponto de atenção para o consumidor é que o valor final no visor da bomba pode superar os centavos fixados pelo Confaz. Isso acontece porque o aumento do tributo gera um "efeito cascata" sobre outros custos operacionais:
Taxas de cartão: Como incidem sobre o valor total da venda, o custo da transação aumenta proporcionalmente.
Perdas operacionais: Fatores como a evaporação natural do produto pesam mais no custo final.
Margem de contribuição: Cada estabelecimento possui uma estrutura de custos própria, o que define quanto do aumento será absorvido ou repassado.
Dinâmica de mercado e o etanol
Questionado sobre a similaridade de preços entre postos vizinhos, Ramos descarta a ideia de combinação de valores. Segundo ele, o mercado se ajusta por necessidade de competitividade. "Se um vizinho baixa o preço para atrair fluxo, os outros acompanham para não perder o cliente. O preço uniforme é, muitas vezes, o limite máximo que aquela região suporta", pontua.
Além dos derivados de petróleo, o etanol também acende um sinal de alerta no Nordeste. Mesmo sem anúncios oficiais do governo, o biocombustível tem registrado altas nas últimas duas semanas devido ao fim do período de safra na região, pressionando ainda mais o orçamento dos condutores que buscam alternativas para economizar.
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