Jorge, Isabel e Bruna são levados para o segundo dia de julgamento - Foto: Kleyvson Santos/Folha de Pernambuco
O advogado de defesa Giovanni Martinovich contestou neste sábado (15) o laudo psiquiátrico anterior e defendeu que Jorge Beltrão Negromonte da Silveira seja internado em um hospitalde custódia ou de tratamento psiquiátrico. “Se ele sair, vão existir mais vítimas”, disse ele, pela manhã, durante o segundo dia de julgamento do caso de canibalismo na cidade de Garanhuns, no Agreste de Pernambuco.
Já condenados pelo homicídio de Jéssica Camila da Silva Pereira, agora Jorge, Bruna Cristina Oliveira da Silva e Isabel Cristina Pires da Silveira respondem à Justiça pelos assassinatos de Alexandra da Silva Falcão, 20 anos, e Gisele Helena da Silva, 31 anos, assassinadas em 2012, em Garanhuns.
O julgamento, realizado no Fórum Rodolfo Aureliano, em Joana Bezerra, deve se estender pela madrugada do domingo (16). Durante a manhã do sábado ocorreram as apresentações da defesa e à tarde a acusação deve se posicionar. Os advogados tiveram uma hora para apresentar o caso e a tese para cada um dos réus.
Na defesa de Jorge, Martinovich apresentou provas de acompanhamento psiquiátrico do réu desde 2009, contestando o laudo dado pelo médico Lamartine Holanda. "Lamartine não tem calibre para descartar o laudo dado por psiquiatras que trataram o réu por anos em apenas dois dias", afirmou o advogado de defesa de Jorge. Para Martinovich, o réu não pode ser tratado como um preso comum por causa do risco de possíveis saídas da prisão em feriados, ou finais de semana após um tempo preso.
Agressões
Para o advogado de Isabel, Ércio Quaresma, a acusada não deve ser julgada pelo assassinato das mulheres em questão. “A denúncia diz que em nenhum dos dois assassinatos ela estava lá”, disse. Ércio foi contundente ao falar que para uma mulher casada há tantos anos e manipulada pelo marido, seria muito difícil tomar as rédeas da situação. “No íntimo de uma mulher de 52 anos, do Agreste de Pernambuco, que era agredida com frequência é muito difícil dizer não ao seu companheiro”, comentou o advogado.
Já Rômulo Lyra, advogado de defesa de Bruna, leu trechos do diário de Jorge em que a relação dos dois era descrita. Para o advogado, o discurso em que Jorge culpa Bruna por planejar e obrigar a participação de todos nos assassinatos não se sustenta. Rômulo afirmou que a forma com que Jorge descreve Bruna ("bonita, sedutora, charmosa, poderosa...") não condiz com o que ela aparenta fisicamente, mostrando fotos da ré aos jurados e perguntando se eles identificavam nela uma mulher com essas características.
O julgamento durante a tarde se inicia com a réplica da acusação, que irá rebater os argumentos apresentados pela defesa na manhã. Cláudio Cumaru, advogado de acusação, conta que há provas irrefutáveis de que os réus participaram conscientemente dos assassinatos. “Todos eles participaram, todos eles estavam ali ativamente conscientes do que estavam praticando e merecem a reprimenda máxima em todos os crimes que foram pronunciados”, afirmou o advogado.
Com relação à inimputabilidade de Jorge, caso ele estivesse fora de sua consciência quando participou dos crimes, Cumaru adverte: “A defesa perdeu os prazos para recorrer da decisão que considerou ele imputável, ou seja, capaz de entender o caráter delitivo do que estava praticando. Evidentemente, a gente vai mostrar aos jurados que essa tese e as outras apresentadas pelas defesas não têm plausibilidade”.
FONTE: Maria Priscila Martins/FOLHA PE

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