A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), levou formalmente ao Palácio do Planalto seu descontentamento com o que classifica como uma estratégia de "perseguição política" articulada por setores do governo federal. Em viagem à capital federal na última quarta-feira (28), a gestora reuniu-se com o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), figura que ela mantém como um interlocutor privilegiado dentro da gestão Lula.
O mal-estar mais recente foi provocado pelo anúncio de uma inspeção do Ministério da Saúde em uma unidade hospitalar privada em Garanhuns, no Agreste do estado. O hospital em questão tem como sócio o marido da vice-governadora, Priscila Krause (PSD). Embora a unidade seja particular, ela mantém contratos de prestação de serviço com o Sistema Único de Saúde (SUS) e também pela confirmação que o presidente Lula estará na cidade para acompanhar as obras do Hospital do Amor.
Para o entorno da governadora, a movimentação técnica do ministério possui motivações políticas, servindo como ferramenta de pressão contra a atual administração estadual.
A reclamação de Lyra ocorre em um cenário de nítida antecipação eleitoral. Aliados da governadora interpretam as ações do governo Lula como um movimento de fortalecimento da pré-candidatura do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao governo estadual em 2026.
A rivalidade entre Lyra e Campos tem escalado nos últimos meses, envolvendo:
Disputas públicas sobre a autoria de obras e investimentos no estado.
Denúncias de suposta espionagem da gestão estadual contra um secretário da capital.
Enquanto Lyra busca consolidar sua base no PSD de Gilberto Kassab, Campos conta com a proximidade histórica e estratégica do PSB com o PT nacional.
Apesar das queixas de perseguição, críticos da gestão estadual apontam que a reação de Raquel Lyra pode ter outras nuances.
Em Garanhuns, opositores ressaltam o baixo volume de investimentos do estado durante o atual mandato, o que gera especulações sobre se o incômodo da governadora seria político ou uma tentativa de blindar a unidade hospitalar de eventuais irregularidades que a inspeção poderia apontar.
Até o momento, o Ministério da Saúde mantém o cronograma da inspeção, tratando o procedimento como de rotina para unidades que operam com verbas do SUS.
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