RECIFE – A violência armada rompeu de vez a barreira da segurança doméstica na Região Metropolitana do Recife.
Dados alarmantes divulgados pelo Instituto Fogo Cruzado revelam que, entre 1º de janeiro e 4 de junho de 2026, 100 pessoas foram baleadas dentro de suas próprias residências.
O rastro de sangue deixou 87 mortos e 13 feridos, registrando uma média assustadora de quase quatro vítimas por semana dentro do ambiente do lar.
O avanço da criminalidade doméstica acendeu um alerta vermelho: em comparação com o mesmo período do ano passado, quando 88 pessoas foram atingidas, houve um aumento de 14%.
Além disso, a trágica marca de 100 baleados foi alcançada mais cedo em 2026 do que em 2025.
O caso mais recente e chocante ocorreu na madrugada desta quinta-feira (4), em Caetés I, Abreu e Lima. Mãe e filho foram executados dentro de casa. Cleonice Maria de Santana, de 48 anos, foi morta ao tentar proteger o filho, Wesley José Kayk Santana Jacinto, de 20 anos, que seria o alvo principal dos criminosos.
Perfil das Vítimas e Recorte Racial
De acordo com a coordenadora regional do Fogo Cruzado em Pernambuco, Ana Maria Franca, o medo se consolidou no cotidiano da população, evidenciando que as moradias viraram cenários frequentes de crimes armados.
O levantamento detalha que a maioria das vítimas são adultos de 18 a 59 anos (87 atingidos).
No entanto, a violência também alcançou 9 adolescentes e 4 idosos. Nos registros onde a cor/raça foi identificada, o impacto na população negra é desproporcional e devastador: 85% dos baleados (50 de 59 vítimas) eram negros.
Recife lidera o ranking do medo
A capital pernambucana concentra o maior número de casos, com 44 vítimas no total (39 mortas e 5 feridas). Jaboatão dos Guararapes aparece em segundo lugar, com 17 vítimas, seguido por Olinda, com 10.
Abaixo, veja o mapa da violência residencial na Região Metropolitana em 2026:
Recife: 44 vítimas (39 mortas / 5 feridas)
Jaboatão dos Guararapes: 17 vítimas (15 mortas / 2 feridas)
Olinda: 10 vítimas (8 mortas / 2 feridas)
Abreu e Lima: 7 vítimas (6 mortas / 1 ferida)
Cabo de Santo Agostinho: 5 vítimas (todas mortas)
Moreno: 4 vítimas (2 mortas / 2 feridas)
Ilha de Itamaracá: 3 vítimas (todas mortas)
Araçoiaba, Camaragibe e São Lourenço da Mata: 2 vítimas em cada (todas mortas)
Goiana, Igarassu e Paulista: 1 vítima morta em cada
Ipojuca: 1 vítima ferida
Os números escancaram a crise na segurança pública de Pernambuco e deixam uma pergunta urgente: como proteger a população se nem as próprias casas servem mais de abrigo contra as balas?
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