BRASÍLIA — O crescimento constante da abstenção eleitoral nas últimas décadas transformou o não comparecimento às urnas em um importante fator de cálculo político.
Para analistas e estrategistas, o fenômeno vem deixando de ser uma mera eventualidade e passou a se comportar como uma decisão do próprio eleitor.
Especialistas apontam que a punição branda — com multas de apenas R$ 3,51 por turno não votado — e a facilidade de justificativa pelo aplicativo e-Título tornam a ausência uma opção mais vantajosa para quem desiste de votar do que o deslocamento para anular ou votar em branco.
Impacto nas urnas e perfil do eleitor
O perfil do eleitorado faltoso costuma concentrar pessoas de menor renda e escolaridade, além de moradores de regiões de difícil acesso.
Por outro lado, o maior engajamento entre o público feminino tem ajudado a contrabalançar as taxas de ausência em pleitos nacionais acirrados.
"Se você não quer votar em alguém e a punição de não ir é pequena demais, é melhor você não ir do que ir e apertar um botão nulo ou branco.
A abstenção se transformou num comportamento eleitoral" — Felipe Nunes, cientista político e CEO da Quaest.
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