A estiagem prolongada que atinge Pernambuco continua a se agravar e já coloca mais da metade dos municípios do estado em situação de emergência.
Ao todo, 106 das 184 cidades pernambucanas sofrem os impactos da falta de chuvas — um salto de 31 municípios em relação ao último decreto emitido pelo governo estadual em junho.
Segundo dados da Defesa Civil do Estado, o colapso hídrico já gerou um prejuízo estimado em R$ 1,24 bilhão, afetando duramente as cadeias produtivas da agricultura e da pecuária.
Além da escassez de água, a população enfrenta temperaturas acima da média histórica.
De acordo com Aparecida Fernandes, meteorologista da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), o estado registra um aumento de cerca de 3°C na temperatura média.
"Nessa época do ano, a temperatura média costuma ficar em torno de 29°C. Neste ano, porém, os termômetros têm chegado a 32°C, indicando valores acima do normal.
Os meses de dezembro, janeiro e fevereiro estão entre os mais quentes do ano e a expectativa é de que as temperaturas continuem elevadas, com possibilidade de recordes", alertou a especialista, destacando o risco de secas severas nos reservatórios do Sertão e de parte do Agreste.
Alerta para a umidade do ar
A onda de calor extremo derrubou drasticamente os níveis de umidade relativa do ar no interior do estado.
A Apac prevê que a umidade pode cair para menos de 20% no Agreste e atingir marcas inferiores a 15% no Sertão — valores muito abaixo do patamar considerado ideal para a saúde humana, que varia entre 40% e 60%.
Para marcas abaixo de 12%, a recomendação oficial é reforçar a hidratação constante, evitar a prática de exercícios físicos ao ar livre entre 10h e 17h e utilizar umidificadores ou toalhas molhadas nos ambientes internos.
Frente ao cenário crítico, a Defesa Civil informou que segue monitorando a evolução do desastre, prestando apoio técnico às Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil (COMPDECs) no processo de reconhecimento federal via Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) e dando encaminhamento às demandas emergenciais das regiões mais afetadas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário