A educação básica brasileira inicia o ano de 2026 sob uma forte onda de insatisfação. Apurações preliminares indicam que o reajuste do piso salarial dos professores será de apenas 0,37%, elevando o valor atual de R$ 4.867,77 para R$ 4.885,87. O acréscimo irrisório de R$ 18,10 para uma jornada de 40 horas semanais é visto pela categoria como um retrocesso histórico.
O principal ponto de crítica reside na comparação com o custo de vida. Enquanto o aumento proposto não chega a 1%, a inflação projetada para 2025 é de 4,4%. Na prática, isso significa que os educadores enfrentarão uma perda real de poder de compra, já que o salário não acompanhará a alta dos preços de produtos e serviços básicos.
A oscilação do piso é fruto de uma metodologia que muitos especialistas consideram instável. O cálculo é atrelado ao Valor Aluno Ano (VAA) do Fundeb dos dois anos anteriores. Essa fórmula tem gerado montanhas-russas salariais nos últimos anos:
2022: Reajuste recorde de 33,2%
2025: Aumento de 6,7%
2026 (Previsão): Apenas 0,37%
Sindicatos e entidades ligadas à educação argumentam que a falta de previsibilidade e o baixo índice de 2026 desestimulam a permanência na carreira docente. "Não se faz educação de qualidade sem valorização financeira. Esse valor é um desrespeito ao profissional que sustenta a escola pública", afirma um representante do setor.
Do outro lado, prefeitos e governadores aguardam com cautela. O valor do piso impacta diretamente as folhas de pagamento municipais e estaduais, e qualquer variação exige ajustes orçamentários rígidos para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
O Ministério da Educação (MEC) tem até o dia 31 de janeiro de 2026 para publicar a portaria que oficializa o novo valor. Até lá, a pressão de movimentos sociais e frentes parlamentares deve crescer na tentativa de buscar alternativas que garantam, ao menos, a reposição inflacionária para os professores brasileiros.
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