Em uma sessão de peso nesta terça-feira (3), a Câmara dos Deputados deu sinal verde para um pacote de medidas que expande significativamente a máquina pública e a folha de pagamento da União. O conjunto de projetos aprovados prevê a criação de mais de 18 mil cargos federais e um aumento de gastos que chega a R$ 6,1 bilhões já para o orçamento de 2026.
O maior quinhão dos novos cargos será destinado ao Ministério da Educação. São 16,3 mil vagas criadas, com foco massivo na contratação de professores e técnicos para o ensino básico, técnico e superior. O Ministério da Gestão e Inovação também foi contemplado com 1.500 postos de analistas.
Um dos destaques políticos da votação foi a criação de um novo Instituto Federal em Patos (PB). A cidade é o reduto eleitoral e berço político do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que não escondeu a satisfação. Em discurso, Motta agradeceu diretamente ao presidente Lula pela proposição, classificando a conquista como uma "realização pessoal" para sua região no sertão paraibano.
Sem alarde e por meio de votação simbólica — método que impede o registro individual do voto de cada deputado —, a Casa também aprovou gratificações bilionárias para os servidores do próprio Congresso Nacional. Essa medida sozinha deve consumir cerca de R$ 800 milhões.
O impacto se estende ao topo da pirâmide do funcionalismo. Auditores-fiscais da Receita Federal, por exemplo, terão seus vencimentos básicos elevados para mais de R$ 32,5 mil a partir de abril de 2026. O pacote de "bondades" inclui ainda a criação de cargos na Anvisa, no Ipea e a estruturação de novas carreiras no Ministério da Cultura, acompanhadas de prêmios e bônus por desempenho.
Somando os R$ 5,3 bilhões destinados aos novos cargos do Executivo com os R$ 800 milhões em benefícios aprovados para o Legislativo, o governo e o Congresso começam 2026 com uma conta bilionária a ser paga. As propostas agora avançam para o Senado Federal, onde devem enfrentar nova rodada de debates sobre o equilíbrio das contas públicas.
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