Um complexo de luxo no interior do Paraná, apontado por funcionários e frequentadores como propriedade do ministro do STF Dias Toffoli, tornou-se o epicentro de uma denúncia explosiva envolvendo jogatina clandestina e uma complexa teia de interesses financeiros.
Investigações jornalísticas do portal Metrópoles revelam que o Resort Tayayá, em Ribeirão Claro, opera mesas de jogos de azar proibidos pela legislação brasileira, funcionando à sombra de uma estrutura de poder que conecta a cúpula do Judiciário a grandes grupos econômicos.
Oficialmente, o resort oferece as chamadas "vídeo loterias", máquinas eletrônicas regulamentadas pelo governo estadual. No entanto, o cenário muda após o horário comercial. Repórteres infiltrados flagraram a operação de mesas de blackjack (vinte e um), modalidade de carteado com apostas em dinheiro e presença de dealers, prática estritamente proibida no país.
O descaso com as normas atinge níveis alarmantes: o cassino opera sem controle de acesso, e crianças foram flagradas operando máquinas caça-níqueis livremente dentro do estabelecimento.
Embora o nome do ministro Dias Toffoli não figure formalmente no contrato social, a ligação com o local é ostensiva:
Toffoli possui residência em área de alto padrão no resort e uma embarcação privativa no píer.
Seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, foram sócios da incorporadora responsável pelos apartamentos do complexo.
A propriedade passou pelas mãos de um advogado do grupo J&F e recebeu investimentos de um fundo ligado a Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O ponto mais crítico reside no conflito de interesses: Toffoli é o relator de investigações no Supremo que envolvem diretamente o Banco Master. No final de 2023, o ministro chegou a fechar o resort para uma festa privada que contou com a presença do ex-jogador Ronaldo Nazário, que teria inaugurado a área de jogatina.
Em nota, o advogado do resort, Paulo Humberto, refutou as acusações de ilegalidade. Segundo a defesa, os jogos eletrônicos são autorizados pela loteria estadual e as mesas de cartas serviriam apenas para o entretenimento recreativo dos hóspedes, comparando-as a partidas de truco. "Não há interferência nem incentivo à jogatina", afirmou o defensor.
Ironicamente, em 2020, o próprio Toffoli participou da decisão do STF que liberou os estados para explorarem loterias de vídeo. Contudo, essa autorização não contempla jogos de mesa com apostas em dinheiro, que permanecem sob o rigor da Lei de Contravenções Penais.
O artigo 50 da Lei de Contravenções Penais proíbe o estabelecimento ou exploração de jogos de azar em lugar público ou acessível ao público, mediante o pagamento de entrada ou sem ele.
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